quarta-feira, 5 de junho de 2013

TERÁ DEUS HOJE DOIS POVOS ESCOLHIDOS – O JUDEU E O CRISTÃO?

Eita dúvida cruel!


IMPORTANTE: O texto a seguir é de autoria de Harald Schaly, falecido pastor batista e mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife).

Neste primeiro capítulo, sob o titulo acima, pretendemos demonstrar biblicamente que, uma vez completado o ministério de Cristo, somente os verdadeiros cristãos, quer de precedência gentia ou judaica, são única e exclusivamente o povo de Deus.


1. Em Cristo, não há mais distinção entre judeus de gentios.

O apóstolo Paulo foi grandemente hostilizado pelos judaizantes, isto é, um grupo grande de judeus cristãos da igreja primitiva, que insistia em que Cristo era só para os judeus, e que os gentios que tivessem crido em Cristo só estariam salvos e qualificados para o Reino dos Céus se adotassem também as práticas judaicas, como a circuncisão e a guarda da lei mosaica. Toda a epístola de Paulo aos Gálatas visa refutar essa idéia de que o Reino dos Céus era só para os judeus e aqueles gentios que tivessem também adotado as práticas e leis judaicas.
Hoje, os nossos irmãos dispensacionalistas afirmam que o Reino dos Céus é só para os judeus, em contraste com o Reino de Deus, que, segundo eles, inclui os anjos e os santos do passado, presente e futuro. O Reino dos Céus, que para eles é o Milênio, será um império mundial judaico, com sua sede em Jerusalém, de onde Jesus, assessorado pelos judeus, dominará o mundo inteiro.
Este Reino dos Céus, ou Milênio, segundo eles, será estabelecido com a volta de Cristo, sete anos depois do arrebatamento da Igreja, e esta voltará com ele, mas seus componentes já estarão revestidos de corpos imortais e incorruptíveis, “nem se casarão nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus”. Eles conviverão com esta população ainda mortal e corruptível, mas não se sabe ainda qual será sua função específica no Milênio.
Wallvoord, um dos expoentes do Dispensacionalismo, escrevendo sobre Apocalipse 21:22-24, diz que a menção de “as nações”, no v. 24, refere-se aos gentios e indica que, no estado eterno, a procedência racial e espiritual será mantida. Os santos do Velho Testamento continuarão como tais; os santos da Igreja continuarão sendo o corpo de Cristo; os israelitas e gentios continuarão, respectivamente, como tais. [3]
Ainda o mesmo autor dispensacionalista, em outro livro seu, afirma, em contraste com a presente era ou dispensação eclesiástica, na qual judeus e gentios estão em pé de igualdade, que o Milênio claramente será um período em que Israel estará em proeminência. [4]
Fritz May, um autor alemão, escreve: “A comunidade de Jesus Cristo é algo diverso de Israel como Povo do Concerto. Ambos são potências autônomas, no plano salvífico de Deus. Israel e a comunidade de Jesus Cristo apresentam, simultaneamente, duas correntes salvíficas de Deus, desenrolando-se, paralelamente, até o retorno de Cristo.” [5]
O jornal A chamada da Meia-noite, edição de maio de 1979, diz: “O segundo sinal da história mundial ‘da proximidade da volta de Cristo’ é o fato de que, a partir de 1948, Israel novamente assumiu seu lugar no plano de salvação de Deus, tornando-se o centro da ação de Deus sobre a terra.”
O mesmo periódico, edição de maio de 1976, diz: “Os judeus que voltaram a Israel já deram, conscientemente ou não, o primeiro passo... tais judeus... já estão sob a ação do Espírito Santo... Por isso, somos contra missões entre judeus em Israel, porque ninguém deve intrometer-se na obra de Deus com o seu povo.”
Ainda o mesmo jornal, janeiro-fevereiro de 1978, p.13, afirma: “... a missão necessária, atualmente, não é que preguemos aos israelitas a nossa posição de cristãos, mas que preguemos de Israel ressurecto aos cristãos.”
A revista Notícias de Israel, de junho de 1981, diz: “... o apoio incondicional a Israel significa colocar-se ao lado do Senhor.”
Ainda, nessa revista, novembro-dezembro de 1980, lemos: “... Israel, como primeiro povo da terra, se converterá inteiramente ao Senhor” (Zac. 12:10-14)... Sua conversão não acontecerá pela pregação da palavra, mas pela manifestação visível do Senhor, em grande poder e glória.”
Do que acima demonstramos, torna-se evidente que os dispensacionalistas ensinam que Deus mantém, paralelamente, dois povos escolhidos e dois planos de salvação.
Vejamos o que as Escrituras dizem, começando pelo Velho Testamento, quanto à chamada Dispensação da Lei, baseada no livro de Êxodo, no cap. 19, que precede os Dez Mandamentos. Temos, da parte de Deus, as condições exigidas para a validade permanente do concerto firmado entre ele e Israel.
No v. 5, lemos: “Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto,então sereis a minha possessão peculiar dentre os povos...” (negrito acrescentado).
Todo o cap. 28 de Deuteronômio consiste em uma enorme série de maldições, que advirão sobre Israel, “se, porém, não ouvirdes a voz do Senhor teu Deus” (v. 15). E, no v. 63, lemos: “E será que, assim como o Senhor se deleitava em vós, para fazer-vos bem e multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitará em destruir-vos e consumir-vos.”
Já em Exodo 32:9, 10, quando o povo de Israel, junto ao Sinai, fez e adorou o bezerro de ouro, Deus disse: “Tenho observado este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os consuma; e eu farei de ti uma grande nação.” A sua destruição só não ocorreu devido à intervenção angustiante de Moisés, que chegou a orar, dizendo: “Agora, pois, perdoa o seu pecado; ou se não, risca-me do teu livro, que tens escrito” (v. 32).
Se esta foi a reação de Deus devido à adoração do bezerro de ouro, quanto mais quando Israel consumou a prevaricação máxima, em matar o seu Filho, e que resultou no cumprimento da profecia de Jesus na conclusão da Parábola dos Lavradores Maus: “Portanto, eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos” (Mat. 21:43).
Vejamos, agora, o que diz o Novo Testamento:

“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestirdes de Cristo. Não há judeu nem grego... porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gal. 3:27-30 – negrito acrescentado).
“Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos...”(1ªCor.12:13).
“Onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão... mas Cristo é tudo em todos” (Col.3:11).
Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão” (Gal. 3:7 – negrito acrescentado).
“Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos” (Rom. 10:12).
“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio...” (Ef. 2:14).

O apóstolo Pedro, na sua primeira epístola, 2:9,10, escreve aos crentes em Cristo:

“Mas vós sois geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido... (“exclusivo” de Deus)... vós que outrora não éreis povo, e agora sois povo de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, e agora a tendes alcançado” (negrito acrescentado).

continua...

[3] Wallvoord. The Church in Profecy, p. 163.
[4]
 Idem. The Millenial Kingdom, p. 302 e 303.
[5] May, Fritz. Israel Zwischen Weltpolitik und Messiaserwartung, p. 24.

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