quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Desabafo: como combater o anti-semitismo!



Anti-Semitismo

A igreja precisa acordar com o fato de que o povo de Israel, aquele mesmo povo com que Deus fez uma aliança, está hoje desviado dos caminhos do Senhor. É preciso abrir os olhos e enxergar além. Pensar no povo judeu não é apenas pedir desculpas por tudo aquilo que os “cristãos” fizeram contra eles ao longo da história. Não é simplesmente lutar contra todo e qualquer pensamento anti-semita. Vai muito mais além do que levantar uma bandeira sionista, defendendo o Estado de Israel com unhas e dentes. Amar os judeus não é brigar por eles pela terra prometida. Não se trata apenas de ir à Jerusalém, se emocionar com a geografia, com suas belezas, com a cultura. Ir à Israel para “andar” onde Jesus andou. Ver os lugares narrados na Bíblia. Vai além de usar um pingente no pescoço da bandeira de Davi. É mais do que cantar músicas que se referem à Jerusalém, ou sobre o Tabernáculo ou até mesmo o Templo. É infinitamente mais do que simplesmente numa noite, ou num congresso de missões, colocar uma bandeira de Israel entre outras bandeiras. Não é apenas colocar um candelabro atrás ou desenhado no púlpito, judaizando a Igreja e trazendo coisas que em Cristo foram cumpridas, e por sua vez, canceladas, Cl 2.16,17. Amar os judeus é levar a mensagem da cruz a eles. É dizer que Jesus é o Messias que eles rejeitam. É levar de maneira clara, amorosa a mensagem do evangelho. Lutando sim contra todo anti-semitismo, mas nunca se esquecendo que anti-semitismo é não evangelizar os judeus. Muitos podem até dizer: “há, deixem esse povo em paz, eles rejeitaram e crucificaram a Cristo, eles não merecem salvação”. Isso não é cristianismo. Isso sim é anti-semitismo. Portanto, o amor é demonstrado não só em ações sociais e políticas para com os judeus, mas é demonstrado levando a mensagem de Cristo a eles.
Então, que este "desabafo" desperte muitos corações para a obra missionária, incluindo os judeus também como alvo dessa missão, pois “para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.24). Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

"Irã Nuclear" - John Hagee e os evangélicos sionistas.

 Peguei esse artigo pois ele trata de um assunto muito autal e necessário, porém, muito complexo. Espero que ajude alguns que são comumentes influênciados pelo dispensacionalismo. 

"Irã Nuclear" - John Hagee e os evangélicos sionistas.


Importante: O texto abaixo foi escrito por Nollie Malabuyo, do Doutrinas Unidas. 26 de outubro, 2007.
 
Aviso: Eu escrevi este post para incentivar os leitores a reavaliar idéias preconcebidas e impregnadas sobre Israel, a Igreja, e a Segunda Vinda. Seja um leitor paciente, pondere as Escrituras, e essas idéias serão abaladas!
"Queremos que reconheçam que o Irã é um perigo claro e presente para os Estados Unidos da América e Israel. E... que está na hora de nosso país considerar um ataque militar preventivo contra o Irã se eles não cederem à diplomacia." - John Hagee, Cristãos Unidos por Israel, 17 de julho de 2007, Washington, D.C. (Jornal Bill Moyers, 05 de outubro, 2007).
De acordo com uma pesquisa realizada em 2006 pelo Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, protestantes americanos apóiam fortemente Israel no conflito entre israelenses e palestinos. Isto ocorre porque 53% acreditam nos judeus quando eles dizem "esta terra é nossa, Deus deu esta terra para nós" (tema do filme "Exodus", de 1960, escrito por Pat Boone). E 47% acreditam que "o estado de Israel é um cumprimento da profecia bíblica sobre a segunda vinda de Jesus."

Esses evangélicos acreditam em um ponto de vista historicamente recente e teologicamente imperfeito das últimas coisas chamado dispensacionalismo. Esta é uma visão que nasceu das alucinações de uma menina escocesa em 1830 sobre o "arrebatamento secreto". John Darby, dos Irmãos de Plymouth, adotou e embelezou tais alucinações conforme aquilo que popularmente conhecemos hoje como pré-milenismo dispensacionalista, popularizado ainda mais pela Bíblia de Referência Scofield, pelo livro A Agonia do Grande Planeta Terra de Hal Lindsey, e pela série Deixados Para Trás de Tim LaHaye.
No entanto, nos primeiros 1.800 anos da história da igreja, sequer um único cristão instruído apareceu com essa visão do arrebatamento secreto. Também, por cerca de 1.500 anos (do 4º ao 19º séculos), o ponto de vista pré-milenista era quase, se não totalmente, inexistente nas doutrinas da igreja. A visão que era amplamente ensinada era esta: a Segunda Vinda é um evento único, quando toda a história será consumada - Cristo surge, todos os mortos (crentes e não crentes) são ressuscitados e julgados, e a eternidade nos novos céus e nova terra começa. Isto é o que é conhecido como amilenismo, que considera os mil anos de Apocalipse 20:1-6 como símbolo de um longo, mas completo período de tempo - os "últimos dias", ou "última hora", entre as duas vindas de Cristo (At 2:16-17; 1Co 10:11; Hb 1:2; 9:26; 1Pe 1:20; 1Jo 2:18).

O que o dispensacionalismo ensina? Todo o ensinamento dispensacionalista repousa sobre um entendimento excessivamente literal da profecia bíblica. O dispensacionalismo considera que as profecias não cumpridas que foram dadas a Israel no Antigo Testamento têm um cumprimento literal em um futuro milênio. Eis os dois maiores erros desta tortuosa compreensão literalista:

O primeiro erro o é "parêntese" cristão. Quando Cristo veio, o plano A de Deus foi que Ele oferecesse seu reino aos judeus, mas estes rejeitaram e mataram-no. Isso foi totalmente inesperado pelos profetas (e por conseqüência, necessariamente por Deus também!). Então Deus implementa seu plano B para salvar Israel: Ele estabeleceu a igreja e ela, por sua vez, evangelizará os judeus.

O segundo erro é a eterna distinção entre Israel e a igreja. De acordo com o dispensacionalismo, nunca houve - e nunca haverá - um tempo em que Israel fez parte da igreja universal. A igreja é o povo celestial de Deus, enquanto a nação de Israel é o povo terreno de Deus - dois planos completamente diferentes.

Quem é o povo escolhido de Deus hoje?
"O mandato bíblico para apoiar Israel começou com Gênesis 12:3: 'E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem.' Em segundo lugar, Davi disse no Salmo 122:6: 'Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam.'" - Hagee, 17 de julho de 2007.

"A terra de Israel foi dada a Abraão, Isaac e Jacó, e a sua semente em uma eterna aliança... Esta terra pertence ao povo judeu hoje, amanhã e para sempre, porque ela é fruto da aliança deles pela palavra de Deus." - Hagee, 18 de setembro de 2005.
Com certeza, se fôssemos judeus nos tempos do Antigo Testamento, poderíamos entender esses textos como referindo-se apenas à nação de Israel. Este é o entendimento incompleto que o dispensacionalismo tem do Antigo Testamento - como se o Novo Testamento não existisse. Mas quando Cristo veio, os apóstolos, que eram todos descendentes de Abraão, entenderam o Antigo Testamento não literalmente, mas como tipo e sombra de Cristo e Seu sacrifício expiatório (Cl 2:16-17; Hb 8:5; 9:23-24; 10:1). Por que os apóstolos interpretaram o A.T. dessa forma? Porque Jesus mostrou-lhes assim! "E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras", e "...convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24:27,44).

Usando o princípio de interpretação de Jesus, como então fizeram os escritores do N.T. com a leitura das profecias veterotestamentárias a respeito de Israel?

Primeiro, Cristo é o verdadeiro Israel de Deus.

Ao explicar a promessa de Deus a Abraão em Gênesis 22:17-18, o apóstolo Paulo diz que na descendência de Abraão todas as nações da terra serão abençoadas. E quem é a "descendência" de Abraão? Paulo diz em Gálatas 3:16, desde que o texto usa o singular, que "descendência" está se referindo a Cristo. Cristo é o Israel de Deus, descendência de Abraão.

Assim, Mateus interpreta toda a vida de Jesus, do nascimento à morte, como o cumprimento final da história de Israel como nação.

Antigo Testamento
Mateus
Faraó tentou matar o bebê que estava para 
tornar-se mediador da antiga aliança.
Herodes tentou matar o bebê que estava
para tornar-se mediador da nova aliança.
Israel cruzou o mar, chamado de "batismo"
por Paulo em 1Co 10:1-2.
Jesus entrou no rio para ser batizado
(Mt 3:13)
A nuvem, o Espírito de Deus, pairava sobre os israelitas em sua jornada (Ex 40:38).
O Espírito pairava sobre Jesus em seu 
batismo (Mt 3:16).
Israel foi tentado no deserto por 40 anos 
(Nm 32:13).
Jesus foi tentado no deserto por 40 dias 
(Mt 4:1).
Moisés leu a antiga aliança para Israel no 
Monte Sinai (Ex 19:2-3).
Jesus explicou a vida na nova aliança em 
uma montanha (Mt 5:1).
Isaías atribui o termo "Servo" a Israel, em 
quem Ele se compraz (Is 42:1; 44:1).
Mateus atribui o termo "Servo" de Isaías a Jesus (Mt 12:18; 3:17).
O "Servo" de Isaías "tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou 
sobre si" (Is 53:4).
Jesus "tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças" (Mt 8:17).

Segundo, a Igreja é o verdadeiro Israel de Deus.

Paulo mostra em suas epístolas que desde o início Deus já intentava em incluir na sua aliança não só os descendentes de Abraão pelo sangue, mas também os descendentes de Abraão pela . Aqueles que estão em Cristo, ou seja, os crentes de "todas as nações", são os verdadeiros filhos de Abraão (Gl 3:7-9,29; Rm 9:6-8). Não é somente quem tem o sinal físico - externo - da circuncisão, mas pertencem a Israel aqueles que têm a circuncisão interior do coração pelo Espírito de Cristo (Rm 2:28-29; Fl 3:3).

Portanto, uma vez que Jesus é o verdadeiro Israel de Deus, todos aqueles que estão unidos a Ele pela fé também são contados como o verdadeiro Israel de Deus (Gl 6:16).

Se as bênçãos de Deus são dadas apenas a Abraão e todas as pessoas que, como ele, têm fé em Cristo, o que dizer então daqueles que não possuem a mesma fé? Uma das formas pela qual Jesus esboça o dia do Juízo Final é o Filho do Homem retribuindo as bênçãos e maldições a todos com base em seu tratamento do povo de Deus. No último dia, ele dirá as ovelhas: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino... [porque] quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes". Mas para as cabras Ele dirá: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno... [porque] quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim" (Mt 25:31-46). Por que isso é uma base para o julgamento? Porque o amor para com os irmãos é uma das marcas de um crente verdadeiro (1Jo 3:14).

O fruto da fé em um verdadeiro crente não é pressionar a Casa Branca para apoiar Israel em um bombardeio ao Irã, mas amar os irmãos - o Israel de Deus -, sejam eles judeus ou gentios. Assim, bênçãos e maldições são pronunciadas por Deus sobre as pessoas com base em como elas tratavam os crentes, não sobre como elas lidaram com a nação de Israel.

Terceiro, Canaã, a terra prometida, era apenas um tipo de Novo Céu e Nova Terra.

Deus não prometeu apenas descendência e muitas nações a Abraão; Ele também prometeu terra para ele e seus descendentes (Gn 17:8). E tudo que Deus prometeu aos israelitas em termos de bens imobiliários lhes foi dado, como Josué 21:43-45 diz:
"Desta maneira deu o SENHOR a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais... Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o SENHOR falou à casa de Israel; tudo se cumpriu."
O capítulo 11 de Hebreus ressalta que Abraão sabia que Canaã não era a Terra Prometida final, onde ele iria se estabelecer. Por quê? Porque "esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus" (Hb 11:9-10). Abraão sabia que a terra prometida de Deus se estendeu muito além do que ele podia ver. Os heróis da fé do Antigo Testamento "morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11:13). Nenhuma promessa de bênção terrena para Israel necessita de cumprimento.

Como podem então os dispensacionalistas dizerem que a terra de Canaã pertence a Israel para sempre, mesmo quando Abraão, o primeiro israelita, não reconheceu a terra como sua morada permanente? Todos os heróis da fé "não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor" (Hb 11:13-16,39-40). Poderia "alguma coisa melhor" ser a terra de Canaã no milênio? Absolutamente não! "Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial" (Hb 11:16). Da mesma forma, todos nós que estamos em Cristo, ao longo dos tempos não ficamos animados a respeito de uma Jerusalém terrena, milenar, mas sim pelo eterno "novos céus e nova terra" (2Pe 3:13).

Quarto, o reino temporal e terreno de Davi era apenas um tipo de reino eterno e celestial de Cristo.

No seu julgamento, Jesus foi questionado por Pilatos se ele era o Rei dos judeus. Jesus respondeu, como sempre, em termos espirituais não compreendidos pelos incrédulos: "Meu reino não é deste mundo" (João 18:36). Por que, então, os dispensacionalistas insistem em ensinar que Jesus reinará de um trono terreno em Jerusalém - uma visão que o próprio Jesus negou?

Os apóstolos também interpretaram o reino temporal de Davi como tal - uma sombra do reino celestial de Cristo. Em seu sermão de Pentecostes, Pedro viu a promessa de Deus a Davi - que um de seus descendentes seria estabelecido em seu trono, e que a esse Filho faria sentar-se à destra de Deus em seu reino celestial - como cumprida pelo próprio Cristo (2Sm 7:16; At 2:30,34). Durante o concílio de Jerusalém, Tiago interpreta a profecia de Amós da restauração do reino de Davi como sendo cumprida por todos "os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado" (Am 9:11; At 15:15-18). O trono eterno de Davi não é o reino milenar de Israel, mas o celestial e universal Reino de Cristo formado por judeus e gentios.

Estavam Pedro e Tiago "espiritualizando" a profecia de Amós por não interpretá-la "literalmente"? De maneira alguma. Eles estavam olhando as profecias do A.T. como tipos e sombras da pessoa e obra de Cristo no N.T. Eles estavam interpretando as Escrituras com as Escrituras, e não com jornais, TV e conferências sobre profecia.

Resultados Bizarros.

Quando a Escritura é interpretada pela Escritura, quando o Antigo Testamento é interpretado pelo Novo, e quando textos obscuros são interpretados por textos claros, o resultado é uma única e coesa história bíblica da redenção do homem através de Cristo, revelada progressivamente por Deus, do Gênesis ao Apocalipse. Observe a simplicidade do amilenismo:

Próximo evento profético
Segunda vinda de Cristo depois de um breve períodode apostasia e revelação do Anticristo; ressurreição de crentes e 
não crentes; Dia do Julgamento; novos céus e nova terra

Em contraste, os princípios de interpretação literal usados pelos dispensacionalistas resultam em ensinamentos inovadores e bizarros que exigem cronogramas e gráficos complexos:

Próximo evento profético
Arrebatamento secreto e ressurreição dos crentes durante a segunda vinda de Cristo
Eventos durante o período de sete anos de tribulação
144.000 judeus dando ao mundo uma segunda chance; Moisés e Elias testemunham em Jerusalém; revelação do Anticristo; Terceira Guerra Mundial nas planícies de Megido
Eventos durante o milênio
Terceira vinda de Cristo; ressurreição dos santos do Antigo 
Testamento; reino milenar de Cristo em Jerusalém; reconstrução do templo de Jerusalém com sacrifícios de animais
Eventos depois do milênio
Quarta Guerra Mundial (Gogue e Magogue, a Mãe de todas as 
Guerras); ressurreição dos não crentes; novos céus e nova terra

No momento vamos nos concentrar apenas no ensino sobre a reconstrução do Templo com sacrifícios de animais.

O Templo de Jerusalém será reconstruído?

Interpretando literalmente a visão de Ezequiel do templo nos capítulos 40-48, dispensacionalistas acreditam que durante o milênio o templo de Jerusalém será reconstruído, e o sumo sacerdócio será restaurado juntamente com o os sacrifícios de animais (capítulos 44-46). O Senhor habitará com Israel para sempre neste templo reconstruído (Ez 43:7), de onde um rio fluirá (Ez 47:1-12). Como, então, os escritores do Novo Testamento interpretam a visão de Ezequiel de um novo templo?

Primeiro, Cristo é o Verdadeiro Templo de Deus.

O próprio Jesus ensinou aos seus discípulos que ele era o templo de Deus, mas somente depois de sua ressurreição é que eles "creram na Escritura", provavelmente referindo-se a profecia de Ezequiel sobre a restauração do templo de Jerusalém (Jo 2:18-22). Os discípulos devem ter se sentido meio confusos quando perceberam que Jesus não estava falando do templo físico quando ele disse aos judeus: "Derribai este templo, e em três dias o levantarei". Assim devem se sentir os dispensacionalistas quando ignoram as interpretações das profecias do Antigo Testamento por Jesus e seus apóstolos, e mesmo assim interpretam todas essas profecias literalmente.

João ensinou claramente que Cristo é o verdadeiro templo. Jesus "habitou" [skenoo, "tabernaculou"] entre nós" (Jo 1:14). Ele interpreta a profecia de Ezequiel de que o tabernáculo de Deus "estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo" (Ez 37:27) como sendo cumprida em Cristo no futuro templo celestial (Ap 21:22; 21:3). Assim, o rio da vida de Ezequiel é uma antecipação de Jesus como a "água viva" (Jo 4:14; Ap 7:17) e o "rido da água da vida" na cidade eterna (Ap 22:1).

Segundo, a Igreja é o Verdadeiro Templo de Deus.

O templo de Ezequiel não é cumprido somente em Cristo, mas também naqueles que estão unidos com Cristo - sua Igreja. Em várias ocasiões, Paulo descreve a igreja como um templo (1Co 3:16-17; 2Co 6:16-17; Ef 2:19-22).

Miquéias diz que "nos últimos dias... irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR... porque de Sião sairá a lei" (Mq 4:1-2). Miquéias estava falando sobre a Jerusalém atual? Absolutamente não! O escritor aos Hebreus diz que já os crentes chegaram "ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial" (Hb 12:22). A Jerusalém terrena, de hoje ou durante o milênio, nunca será como a cidade celestial dos novos céus!

Desse modo, o templo de Ezequiel tem 12 portas com os nomes das 12 tribos de Israel (Ez 48:31-34). Mas João expandiu o templo terreno de Ezequiel para uma cidade celestial que não tem somente 12 portas, mas também 12 fundações com os nomes dos 12 apóstolos representando todas as nações (Ap 21:12-14). Assim, João está retratando o novo templo como a cidade celestial, a noiva de Cristo (Ap 21:2), onde os crentes do Antigo e Novo Testamento - judeus e gentios - habitam com Deus para sempre.

A Insanidade do Sacrifício Milenar da Novilha Vermelha.

Muitos evangélicos acreditam que haverá um templo reconstruído em Jerusalém, com um Sumo Sacerdote e sacrifícios de animais durante o milênio. No intuito de acelerar a vinda de Cristo, alguns desses evangélicos estão até mesmo ajudando judeus ortodoxos na tentativa de conceber novilhas vermelhas, porque acreditam que o nascimento de um animal perfeito em Israel é o sinal para o início do projeto de reconstrução do templo.

Isto não é simplesmente insano, mas herético. O escritor da carta aos Hebreus advertiu os cristãos judeus no primeiro século contra as mesmas idéias que os evangélicos de hoje anseiam em ver, a saber: olhar para trás para os tipos e sombras do Antigo Testamento, e não para Cristo como o cumprimento de toda a Escritura. O sacrifício de Cristo foi "uma vez por todas" - completo, perfeito e suficiente como uma expiação substitutiva para todos os pecados de todo o povo de Deus.

Por que voltar aos sacrifícios do Antigo Testamento? Os dispensacionalistas diriam que os sacrifícios de animais no templo milenar são apenas em memória da obra expiatória de Cristo. Mas de que maneira Jesus disse a seus discípulos para lembrar dele? Através de sacrifícios de animais? Deus me livre! É pela participação da Ceia do Senhor, assim como ele ordenou: "Fazei isto em memória de mim". Até quando devem os crentes partilhar do pão e do vinho? "Até que ele venha", diz Paulo (1Co 11:24-26). Por que então os dispensacionalistas ensinam que precisamos oferecer o sangue de bois e cabras, e as cinzas de uma novilha vermelha depois que Jesus retornar e estiver reinando como Rei durante o milênio? Em nenhum lugar na Bíblia encontramos crentes, no tempo após a Segunda Vinda, obedecendo a ordem de sacrificar animais para lembrar a morte de Cristo. É dessa forma porque os sacrifícios de animais são obsoletos em comparação com o sacrifício de Cristo (Hb 8:13; 9:11-14). Porém, haverá um "memorial" de serviço consumado, uma "festa de aliança matrimonial" do Cordeiro, que será celebrada no novo céu (Ap 19:6-8).

O apóstolo Paulo escreveu veementemente contra "judaizantes" nas igrejas da Galácia. Estes queriam voltar a ser escravos sob as leis cerimoniais mosaicas, como a circuncisão e as festas judaicas: "... como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres [obras de justiça], aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos" (Gl 4:9-10).

Por que chamar o ensino dispensacionalista  de insano e herético? Esta é exatamente a forma como Paulo chama aqueles Gálatas que queriam voltar para as leis cerimoniais do Antigo Testamento: "negligentes" (anoetos, anathema, Gl 1:8,9), e "heresias", "seitas", ou "dissenções" (hairesis, Gl 5:20).

Assim, ao ensinar que o sacrifício de animais será oferecido no templo milenar, dispensacionalistas estão violando duas das mais básicas doutrinas cristãs: (1) o sacrifício de animais do Antigo Testamento são apenas tipos e sombras do sacrifício de Cristo; e (2) o sacrifício de Cristo é perfeito e suficiente para lavar todos os pecados de todo o povo de Deus.

Por fim, os cristãos devem enviar seu dinheiro para o Programa Novilha Vermelha e/ou uma petição ao presidente dos EUA quanto ao "Irã Nuclear" para apressar o arrebatamento secreto? Sim, se interpretarem as Escrituras com as especulações selvagens de Hagee. Não, de forma alguma, se interpretarem as Escrituras com as Escrituras.

Traduzido por Mac. 


Link Original: http://www.amilenismo.com/2012/02/ira-nuclear-john-hagee-e-os-evangelicos.html

sábado, 5 de maio de 2012

A Igreja No Velho Testamento

Bem, estou postando esse artigo visando a maior compreensão a respeito da Igreja de Cristo. Não fiz nenhum tipo de revisão na gramática, logo poderá se encontrar alguns erros. O artigo é bem exaustivo, mas é de grande importância! 


A Igreja No Velho Testamento
INTRODUÇÃO
Gostaria de iniciar falando de dois aspectos visualizados neste tema.

1) Anacronismo — Este tema é muito importante tendo em vista as circunstâncias que envolvem a Igreja hoje. Mas pensar neste tema — Igreja no Velho Testamento — para muitos seria pensar em um anacronismo. Ou seja, usar um termo fora da sua época. Muitos dizem que Igreja é algo apenas do Novo Testamento. Sendo assim, como poderíamos falar de Igreja no Velho Testamento? Bem, no meio reformado isso não seria um problema, mas no meio não reformado esse é um problema muito sério tendo em vista o entendimento errado que muitos têm ao fazer uma separação entre Igreja e a nação de Israel. Estes têm dificuldade de encontrar o conceito de Igreja no Velho Testamento. Essa separação que se faz entre Israel e Igreja é algo extremamente prejudicial para a visão e unidade da Escritura Sagrada como um todo.

No entanto, este tema é pertinente e não anacrônico. Ao contrário, ele é uma expressão fundamental da teologia reformada e a expressão de sua verdade. Por ser teologia pactual, ela não faz distinção entre Velho e Novo Testamento no que diz respeito aos conceitos essenciais, aos símbolos e às cerimônias (abolidas em Cristo e por isso não praticadas hoje). Os conceitos essenciais da Igreja são vistos no Antigo Testamento e esperamos nos referir a eles.

2) Este tema é pertinente. Não é um anacronismo, mas algo que enfrentamos hoje. Como nós lidamos com o Antigo Testamento na Igreja? Temos encontrado um grande problema com a pregação veterotestamentária em nossas igrejas. A pregação no Velho Testamento, além de ser escassa por convicções equivocadas, ela é moralista na sua essência; não é redentiva, não é regeneradora, mas simplesmente uma exposição moral. Toma-se um texto do VT para se falar sobre a condenação de determinados pecados e como devemos viver com base em um padrão. Hoje não se vê na pregação no Velho Testamento a essência da natureza de Cristo e a obra de unidade que existe entre o Antigo e o Novo Testamento. Por isso, além de ser um tema dos nossos dias, e não estarmos usando nada fora do seu contexto, estamos usando um tema extremamente pertinente.

Certamente os irmãos que têm um entendimento de Israel distinto de Igreja, rejeitam rapidamente este assunto. Vamos ouvir o que a Palavra de Deus tem para dizer acerca deste assunto para que desfrutemos destas maravilhosas verdades redentivas reveladas de forma clara e essencial no Antigo Testamento.

O TEMA
Em que lugar na Escritura podemos afirmar que o povo do Antigo Testamento é chamado de Igreja? É interessante ver como os irmãos que têm dificuldade com este tema partem de uma hermenêutica literalista e por isso equivocada. Se não tem a palavra “igreja” com referência à Israel, então Israel não é igreja, dizem eles. Se não tem a palavra “Israel” para igreja, então igreja não é o Israel de Deus. Estes irmãos dizem que há necessidade de se ter uma expressão literal para a tese ser confirmada. Mas temos de ver a teologia como um todo. Vendo este princípio teológico pelo prisma da unidade da revelação, podemos abrir as Escrituras em um texto de Atos 7: 38 — “É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir”. A palavra utilizada no texto — congregação — literalmente é a palavra grega usada para “Igreja” (eclesia). Lucas está dizendo aqui no texto o seguinte: “É este Moisés quem esteve na ‘igreja’ no deserto”. É exatamente o que Lucas está dizendo. O princípio é de que a igreja envolve o povo que se congregava no Antigo Testamento. Sabemos, à luz do Novo Testamento, que a igreja é formada pelos eleitos de Deus, os escolhidos do Senhor antes da fundação do mundo e esse povo eleito por Deus é regenerado, justificado, santificado e vive uma vida corporativa característica de um povo tirado de rumos distintos para um caminho comum. O Novo Testamento nos dá a visão muito clara de que os que pertencem à igreja do Senhor são aqueles que foram salvos regenerados, santificados, convertidos. Se isso, então, é a essência da igreja, que pessoas foram chamadas por Deus da escravidão do pecado para a liberdade em Cristo, da morte para a vida para fazer a vontade de Deus, temos que entender que no Antigo Testamento estas coisas também aconteciam. Será que apenas a expressão, apenas o entendimento veterotestamentário da vocação de algumas pessoas e da visão de nação como povo de Deus, seria suficiente para excluir a idéia de que esta nação não era a nação que, escolhida por Deus, fosse regenerada, convertida, justificada, santificada para andar nos caminhos de Deus? Será que é uma visão correta afirmar que pelo fato de se ter uma nação específica no VT (Israel) temos uma igreja distinta no Novo Testamento onde povos de todas as raças estão envolvidos no número dos eleitos? Caminhemos para o seguinte entendimento:

1) Temos de encontrar no Velho Testamento e na revelação geral das Escrituras a verdade estabelecida de que o povo do VT cria nas mesmas coisas que nós cremos hoje, no mesmo Deus e nas mesmas verdades que cremos.

2) Temos de encontrar no Velho Testamento, em toda revelação do VT que este povo, além de tudo, não só cria como nós, mas era um povo que esperava nas mesmas promessas que nós esperamos.

Se não unirmos isso, se não aceitarmos e compreendermos isso, teremos dificuldades de crer que Israel é a Igreja e que a Igreja é Israel. À luz deste princípio partimos desta direção entendendo a fé e a esperança como algo comum ao Velho Testamento e ao Novo Testamento.

Antes de continuarmos, devemos dar uma explicação. Vamos citar alguns textos do Novo Testamento e muitos poderão pensar: O irmão vai falar de Igreja no Velho Testamento e, para isso, cita textos do Novo Testamento? Mas o melhor interprete da Bíblia é ela mesma. Quem melhor interpreta o Antigo Testamento é a própria Bíblia. Se nos dirigimos ao NT para entender a interpretação do VT é porque partimos do princípio de que a verdadeira interpretação do Antigo Testamento está no Novo Testamento.

Hebreus 11:1-3 e 8
Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (vss. 1-3).

Temos aqui um conceito neotestamentário de fé. No v. 1 temos um paralelismo sinonímico. Paralelismo é uma característica da língua hebraica. Lembramos, porém, que os autores do Novo Testamento eram judeus na sua maioria e sua estrutura de escrita era obviamente judaica. Mesmo escrevendo em grego, o pensamento era judaico tanto quanto sua estrutura de escrita. Por isso temos este paralelismo que é uma forma de dizer a mesma verdade de forma diferente. O que é fé? “Fé é a certeza de coisas que se esperam”. O que mais é fé? “A convicção de fatos que se não vêem”. O que é sinônimo aqui? Aqui “certeza é sinônimo de “convicção”; “coisas que se esperam” é sinônimo de “fatos que se não vêem”. A fé está firmada não em dúvidas, mas em certezas, porém não naquilo que se vê. Impressionante! Até porque a própria raiz da palavra “FÉ”, na língua hebraica, se origina de uma palavra que na sua base, na sua múltipla utilização como palavra de uma língua, traz a idéia de verdadefirmeza, como uma árvore que bem plantada não se abala. Em hebraico a palavra “āman” de onde provem a palavra “ĕmûnâ” que é “fé” ou “fidelidade” e que vem da mesma raiz, tem um sentido de algo que está fincado e que não se abala.

A palavra “fé” usada no Velho Testamento é usada agora no Novo Testamento como aquilo que não se abala e a convicção de coisas que não podemos ver. Aqui está o grande paradoxo. Percebemos que estamos diante de uma grande verdade! O autor da carta aos Hebreus nos dá o conceito de fé. Mas de modo interessante o autor recorre à criação para estabelecer o parâmetro do que podemos entender como fé e recorre a personagens do Velho Testamento. Começa falando de Abel e discorre para poder dizer que a fé é a exata convicção daquilo que não podemos ver. Ele diz que “pela fé Abel ofereceu mais excelente sacrifício...”. Estabelece-se, então, um princípio de que Abel já esperava algo que ele não via, mas sabia da sua existência. Nos parece ser este o princípio pelo fato de que nos vss. 8-10 deste capítulo Abraão vai ser assim também denominado. Está escrito: “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11:8-10). Foi dada a Abraão a promessa de entrar numa terra chamada “prometida”, sendo que esta terra “prometida” não era, na visão de Abraão, o fim para o qual estavam determinadas todas as coisas. Por quê? Porque segundo o texto ele aguardava a cidade que Deus havia edificado. Mas alguém poderia afirmar que no texto não há nada dizendo que a palavra “cidade” se refere a uma cidade celestial e que bem poderia estar se referindo a Jerusalém, a cidade santa. Se alguém não se convence com estes versículos devemos olhar mais à frente.

Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa. Por isso, também de um, aliás já amortecido, saiu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar. Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra“ (vss.11-13).

Vejamos que “estes morreram na fé”, ou seja, morreram crendo “sem ter obtido a promessa”.
Vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” (vss. 13b-16).

 A palavra cidade usada no texto é trazida de volta. Cidade aqui é sinônimo de pátria celestial. Percebemos que quando estas personagens do Velho Testamento eram chamadas por Deus, as suas vocações não eram para algo estritamente terreno, mas para algo superior. A própria terra de Israel nunca foi um fim em si mesmo. Ela apenas tipificava a pátria celestial. Segundo as palavras do autor da carta aos Hebreus, quando ele trata no capítulo 4 acerca do dia do Senhor, do dia de descanso, diz claramente que a terra de Israel não era o descanso que Deus havia dado a eles; porque se fosse não falaria de “outro dia” — “Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia” (Hb 4:8). E no v. 9 lemos: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”. Aquela cidade tipificava a entrada na pátria celestial. Abraão chamado por Deus já cria e aguardava, segundo o autor aos Hebreus, uma pátria superior à terra prometida, pois esta era apenas um tipo e não um fim em si mesmo. Devemos nos lembrar do conceito estabelecido pelo autor da carta aos Hebreus que “fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem”. Existe fé eesperança estabelecidas no Velho Testamento. Os chamados e vocacionado por Deus esperavam o mesmo que nós esperamos: a pátria celestial, a nova Jerusalém. A idéia atual de que, para a nação judaica a terra da Palestina foi posta como propósito final, é equivocada à luz de toda Escritura Sagrada. Porque para os filhos de Abraão, os que creram como Abraão creu, eles aguardam uma pátria celestial, a Nova Jerusalém, a cidade santa. No Velho Testamento a fé estava estabelecida, os crentes não viam, mas esperavam.

Abraão creu na ressurreição dos mortos. Os críticos modernos afirmam que a doutrina da ressurreição não está estabelecida no Velho Testamento. Nos parece que isso é um grande equívoco porque, quando Jesus foi interpelado pelos saduceus, no Evangelho de Mateus, o Senhor lhes deu uma resposta. O texto nos fala:

Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram: Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido. Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; depois de todos eles, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram” (Mt 22:23-28).

Jesus respondeu claramente:
“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos” (Mt 22:29-32).

Jesus fala baseando no texto do Velho Testamento quando diz que Deus é Deus de vivos e não de mortos. Ele disse: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaque e Jacó”. Jesus responde à questão dos saduceus, que eram contrários à ressurreição, citando o Velho Testamento. Certamente que Abraão, Isaque e Jacó já estavam mortos na época de Cristo. Por que Jesus diz que Deus é Deus de vivos e não de mortos? Porque eles estão vivos. Jesus disse a Marta: “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Mt 11:25). É a mesma fé estabelecida no Velho Testamento. A fé na ressurreição é estabelecida em Gênesis no capítulo 22. Deus prova a Abraão:

Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (Gn 22:1-5).

Estas palavras não eram de alguém que desejava acalmar aos servos desesperados com a possibilidade da morte de Isaque, porque eles sabiam o que estava acontecendo. Porém Abraão diz aos servos “eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós”. Temos de atentar para as palavras: “havendo adorado, voltaremos”. Vejamos o plural: Nós voltaremos! Ele não disse, eu voltarei. O que significa isso? Ele cria que se e o menino morresse Deus iria ressuscitá-lo. De onde tiramos isso? Voltando a Hebreus 11 e veremos claramente esta verdade.

Hebreus 11:17-19
Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou”.

Abraão creu que Isaque iria ressuscitar. É a convicção daquilo que não vemos, é a certeza daquilo que nossos olhos não vêem, mas é a certeza! Nunca vimos ninguém ressuscitar, mas cremos na ressurreição dos mortos. O mesmo princípio se aplica a Abrão. Ele nunca tinha visto ninguém ressuscitar, mas cria na ressurreição. A Igreja no Velho Testamento cria e estava fundamentada nos mesmos pilares que se fundamenta a Igreja do Novo Testamento. Nós cremos e esperamos naquilo que não vemos!

Esse princípio da fé precisa ser melhor entendido. Como surgia a fé no Velho Testamento? Temos de mencionar agora uma doutrina perniciosa presente na igreja de hoje: O Dispensacionalismo. Através da tradição dispensacionalista teremos profunda dificuldade de olhar para o Velho Testamento e ver a conversão da mesma forma como a vemos no Novo Testamento. Para o dispensacionalismo o homem do Velho Testamento tinha uma estrutura diferente do homem no Novo Testamento. Se o homem do VT pudesse se arrepender sem a ação do Espírito Santo, então para que o Pentecostes? Não havia necessidade de Espírito Santo, pois o arrependimento seria algo humano. É óbvio que toda e qualquer ação de caráter regenerativo, salvífico, era operado pelo Espírito Santo de Deus para que eles acreditassem.

Voltando ao texto que fala de Abel em Hebreus 11:4, vemos que ele ofereceu sacrifício a Deus pela fé. Se entendermos que o sacrifício oferecido por Abel foi através de uma fé distinta, diferente, não sendo pelo que lhe fora revelado, então, semelhantemente teremos de entender que a fé de Abraão não foi depositada no que lhe foi revelado. Mas o texto diz que Abraão creu. A mesma fé que Abraão teve é a mesma que Abel teve. É a mesma estrutura. E todos os eleitos têm esta mesma fé que é a mesma fé do povo de Deus na história, no VT ou no NT. Fé implica numa revelação de Deus. Só podemos crer naquilo que nos é revelado pela Palavra de Deus.

Em Hebreus 4:1-3, lemos:
Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram.Nós, porém, que cremos, entramos no descanso...”.  

No v. 2 destacamos: “Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas”. “Também a nós”! Quem são “nós” aqui? São os crentes da antiga aliança, os crentes do Velho Testamento. Da mesma forma como aconteceu conosco, aconteceu com eles A eles foram anunciadas as BOAS NOVAS! O EVANGELHO! Que coisa maravilhosa! O Evangelho, as Boas Novas, foram anunciadas aos crentes da antiga aliança.

É necessário um comentário. Qual a distinção do Novo para o Velho Testamento? Não há distinção essencial, mas há distinção da relação entre aquilo que é figura, entre aquilo que é símbolo e o que é simbolizado; entre o que é tipo e o que é tipificado. Os crentes do Velho Testamento eram salvos pela revelação de Deus, objetiva e subjetiva(iluminação). Vemos isso com o grande teólogo reformado Dr. Geerhardus Vos no seu livro Teologia Bíblica (Biblical Theology) que é um livro extraordinário. Dr. Vos coloca o princípio da revelação assim: A revelação é objetiva e subjetiva.


Revelação Objetiva e Subjetiva (Iluminação[i]).

Revelação objetiva são os atos históricos de Deus, manifestados na própria história.Isto é, cada ato revelacional implica em um ato histórico. Exemplo: Jesus veio a este mundo. Isso é um ato histórico. Esta é uma revelação objetiva. Revelação subjetiva (Iluminação) é a revelação histórico-objetiva que é trazida ao entendimento do indivíduo, a regeneração, conversão. O que permanece hoje é a iluminação, pois a revelação objetiva cessou, pois não existe mais revelação histórica. Ela se encerrou como Cânon. O que temos hoje é a iluminação que é trazida ao homem por meio da pregação histórico-objetiva de Deus que continua sendo proclamada e salvando o povo na história. Como Deus fez no Antigo Testamento, fez também no Novo Testamento e durante toda a história. O Velho Testamento junto com seus atos históricos não apenas revelava Deus historicamente (objetivamente), mas revelava Deus subjetivamente a um povo que Ele mesmo estava salvando. Paralela à idéia da revelação, está à idéia de conversão e salvação — Deus se revelava para redimir.

Pensando dessa forma, cada momento da história, como a Páscoa, a circuncisão, o tabernáculo, o templo, enfim, todos estes elementos históricos que foram realidades no VT, traziam consigo a vontade revelada de Deus, a revelação redentora de Deus salvando um povo que continuada e organicamente passava a conhecer a salvação. A Confissão de Fé de Westminster diz que aquela revelação era suficiente para salvar os eleitos de Deus no Velho Testamento. Dr. Geerhardus Vos se apodera deste ensino da Confissão para dizer que esta revelação era perfeita, não porque não precisasse de outra revelação para dar-lhe luz, mas porque aquela revelação estava ligada organicamente com aquele que era o centro de toda revelação de Deus, Jesus Cristo. Por isso, não temos medo de dizer, à luz de toda a Escritura Sagrada, que a fé que Abraão tinha, nós também a temos porque o mesmo Espírito opera em nós. A esperança que ele tinha nós a temos porque ouviu a mesma verdade — as boas novas do Evangelho.

Gálatas 3:6
“É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão”.

Foi trazida a revelação de Deus — O Evangelho foi preanunciado. Isso é impressionante. Paulo enfrentava problemas na igreja da Galácia e estes problemas eram relacionados com a questão das obras que eram enfatizadas para a salvação. Então, Paulo se fundamenta em Abraão para dizer: “tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios”. Deus, para justificar pela fé, preanunciou o Evangelho, isto é anunciou o Evangelho a Abraão! Para que houvesse justificação pela fé foi necessária a revelação do Evangelho que começou a ser pregado de modo inequívoco desde o início da história da revelação. E os que criam eram salvos, pois criam nas mesmas verdades, esperavam nas mesmas promessas, tinham a mesma esperança. Eles criam na ressurreição como nós cremos, aguardavam uma pátria celestial como nós aguardamos.

A Igreja no Velho Testamento é fundamentada no conceito da unidade de toda a Escritura Sagrada. Conseqüentemente é importante saber que a obra da regeneração no Novo Testamento se deu, não com uma raça, não com um povo étnico, não com descendentes carnais, mas com os da fé. Então, a quem Deus revelou a verdade, a quem Deus deu o dom da fé, a quem deu a verdadeira esperança, e a mesma crença que é nossa? Paulo responde a esta pergunta em Romanos 11:1-5

Romanos 11:1-5
Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias, como insta perante Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida. Que lhe disse, porém, a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça”.

A questão que Paulo levanta é simples. Deus rejeitou Seu povo? Não, de modo algum. Por quê? “Eu não sou israelita e fui salvo”. Agora Paulo dá o conceito para colocar no tudo prumo certo. Antes estava estabelecido o conceito de que Israel era o povo eleito apenas como nação, como raça. Mas Paulo diz que isso é agora um equívoco. Quem é o verdadeiro israelita? Não é simplesmente o que nasce em Israel. Paulo agora se refere tanto ao povo do VT quanto ao do NT e diz que ambos estavam na mesma situação e afirma: “no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça”. Isto é, assim como foi no Antigo Testamento, é agora no novo. Nada mudou! É a mesma coisa. No Antigo Testamento haviam os eleitos segundo a graça de Deus. Não era porque nasciam em Israel que eles eram salvos, pois haviam os eleitos dentre Israel. Por isso Paulo cita Elias que dissera: “Senhor, eu estou só!”. Mas Deus lhe diz: “Nada disso, Eu reservei para mim sete mil homens”. Ou seja, “Eu reservei para mim os que são fiéis. Dentro desta nação existem sete mil que não se dobraram diante de Baal”. E Paulo conclui dizendo que é assim também hoje que vive um remanescente segundo a eleição da graça.

Como foi no Antigo Testamento, é assim agora no Novo Testamento, pois os eleitos são salvos pela graça. E esses eleitos são salvos através da revelação da verdade. E essa revelação é dada aos que recebem o dom da fé, fé que leva à esperança. A Igreja do Antigo Testamento é o povo de Deus do Novo Testamento. Somos salvos porque fomos escolhidos por Deus antes da fundação do mundo, assim como os crentes do Antigo Testamento o foram. Fomos salvos porque a nós foi revelada a palavra objetivo-histórica de Deus e nós cremos tanto quanto eles creram nesta palavra revelada. Eles esperavam a pátria celestial e nós também esperamos. Eles criam na ressurreição e nós também cremos. Os crentes do Velho e do Novo Testamento historicamente receberam os mesmos benefícios.

A Igreja eleita do Antigo Testamento recebeu a revelação, creu e, com fé, esperou. Nós que somos a igreja do Novo Testamento somos exatamente a mesma coisa hoje. A igreja existia no Antigo Testamento.


Implicações
Quais as implicações desta verdade para nossa vida?

1) Uma palavra aos pastores e à liderança. Aos pregadores da Palavra que desejam cada dia aprender mais da Escritura se fazem necessárias algumas mudanças. Abandonem a pregação apenas moralista do Antigo Testamento e preguem a redenção que lá está. Pregue Cristo no Antigo Testamento! Exalte o nome de Cristo no Antigo Testamento! Exalte o Cristo que operou no povo do Velho Testamento da mesma forma como faz hoje, pelo Seu Espírito. Ao Ministro da Palavra dizemos que ele abandone a pregação apenas moralista no VT como é comum em nossos dias. Pregue a ética que provém da doutrina, mas não moralismo. Terá de evitar a visão dispensacionalista que afirma que o Antigo Testamento apenas serve de exemplo para nós. Errado! O Antigo Testamento é muito mais profundo que isso. É a revelação da redenção histórica de Deus.

Para os pastores e pregadores do Evangelho essa será a primeira e fundamental mudança que ocorrerá em suas vidas.

2) A liderança da igreja terá de buscar o entendimento da unidade em toda a Escritura Sagrada. Há muito tempo nós brasileiros trabalhamos contra isso. Na ignorância acreditávamos em uma separação entre Israel e Igreja, e, mesmo não sendo de fato dispensacionalistas, vivíamos recebendo grande quantidade de idéias dispensacionalistas na nossa teologia. Dessa forma não conseguíamos ver a unidade da Escritura. Tenho de dizer algo duro, mas que é a verdade. O pastor verdadeiramente reformado, presbiteriano, que não é pactual, está equivocado ao ficar contra suas convicções. Pastores e líderes que não crêem em um único pacto, o pacto da graça (após a queda), que não crer nessa unidade da Escritura, naturalmente vai trabalhar de modo a fazer um desserviço no ensino da Igreja.

Por isso a grande importância de falarmos sobre a circuncisão, batismo infantil, a páscoa, a ceia do Senhor, o templo e seu lugar no Novo Testamento, para podermos entender que dentro da doutrina da unidade escriturística existe um processo de entendimento e que a simbologia do VT foi trazida à plenitude no NT. Não é que o foco tenha sido mudado, não, mas é que chegamos ao ápice — Cristo — e quando temos a unidade, esse pensamento que apresentamos aqui, nos fará ver a Escritura como uma única verdade. Veremos como uma unidade.

O pastor que deseja se aprofundar na doutrina, como pregador, deverá mostrar que na redenção haverá mudança de vida e necessidade de obediência à Lei. Os pastores aprenderão que, depois de redimidos, nós amamos a Lei.

3) O crente desejoso de aprender mais profundamente a doutrina, verá que ele é salvo não pela obediência à Lei, mas pela graça de Deus. Isso trará uma grande mudança na vida da igreja, porque tanto no VT como no NT temos uma mesma mensagem: justificação pela fé somente e não por obras.

O texto de Gálatas claramente diz que “tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão”. Que Evangelho? O Evangelho da justificação pela fé somente. Essa foi a mesma verdade da Igreja do Velho Testamento e que está estabelecida na Igreja do Novo Testamento. A Igreja de hoje vai ter de rever seu enfoque, sua perspectiva e seus conceitos serão aprofundados quando retornar à posição confessional, o que talvez nunca tenha conhecido: A Confissão de Fé de Westmister. Digo isso com muita seriedade. Fiz meu bacharelado em teologia em um Seminário Presbiteriano e nunca estudei nossos símbolos de Fé. A liderança presbiteriana está, com algumas exceções, ignorante da sua confessionalidade, do seu conhecimento doutrinário sobre a Igreja. Por isso, a melhor palavra que se adequa à nossa situação não é “retornar” e sim “começar” a nossa eclesiologia de forma bíblica e reformada. Vamos aos nossos símbolos de fé e veremos que lá estão estabelecidos estes princípios que expusemos aqui. A doutrina do Pacto, a doutrina clara e inequívoca de que os crentes do VT eram salvos pela revelação graciosa de Deus tanto quanto os crentes do Novo Testamento. Veremos que a distinção que apenas fazemos é que no Velho Testamento o evangelho era visto através de uma revelação manifesta nos símbolos e tipos, porém eram perfeitos porque estavam conectados à Cristo.

Dessa forma vamos perceber com temor e piedade diante de Deus, a mudança que estas verdades acarretarão à vida da Igreja de hoje. Isso se faz necessário: abandonarmos os erros e nos apegarmos à verdade.

Amém.

Pr. Paulo Brasil 

Fonte: Palestra proferida pelo Prof. Paulo Brasil no SIMPÓSIO REGIONAL OS PURITANOS em Recife/fevereiro/2006

[i] Usamos esta expressão para evitar que se pense que estamos defendendo revelação extraordinária hoje.